domingo, 7 de agosto de 2011

MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE: TRADIÇÃO E MODERNIDADE (Por Marcone Alves)

Fundado em 1979, o MuHNE detém em seu acervo uma mescla dos Museus do Açúcar, de Antropologia e Arte Popular, tendo como grande incentivador e responsável pela junção desses acervos o sociólogo Gilberto Freyre, figura reconhecida internacionalmente e uma das maiores mentes brasileiras de todos os tempos, seja por sua análise metódica da sociedade mestiça brasileira ou por sua capacidade de exposição da História do Nordeste e dos fatores o constituem.
O Museu do Homem do Nordeste vai além das perspectivas tradicionais, sua exposição de longa duração intitulada “Nordeste: Territórios Plurais, Culturais e Direitos Coletivos” traz com o auxilio de modernas técnicas de iluminação e a acondicionamento de peças uma viagem pela história nordestina. Abrangendo desde os povos que por aqui passaram e deixaram suas marcas como também sua geografia peculiar e sua História. O MuHNE apresenta-se ao público visitante, leigo ou não de forma clara e objetiva, proporcionando ao visitante a possibilidade de empreender uma visita sem necessidade de um clássico “guia”, o qual é um legitimo “pé-no-saco” de quem deseja liberdade para ver o que quer em qualquer exposição.
No percurso o visitante terá o contato com peças de influência inglesa, norte-americana, francesa e holandesa, além de peças portuguesas e também provenientes de outras nações, a influência indígena também está presente na exposição com peças novas e que caracterizam o índio nordestino. Para a exposição destas peças de caráter indígena houve toda uma preocupação dos integrantes do departamento de Museologia, quanto a aquisição de peças que dessem uma real idéia da produção artesanal do índio nordestino, que em si difere bastante das produções do norte do pais. Umas das partes mais emocionantes e que ninguém deve ser privado do direito de presenciar é a sala do Navio Negreiro, impossível descrever tal criação com palavras, o que se sente só é passível de explicação para si, para outrem deve ficar apenas a vontade de presenciar tal maravilha museal.
Ainda na exposição uma sincronia interessante versa sobre a religiosidade do povo nordestino, candomblé e catolicismo formam a base dessa religiosidade exposta nas ultimas salas do museu que também conta com peças originais de Mestre Vitalino e ícone indelével da cultura pernambucana, que mais a frente deve abrir para visitação a segunda parte que deve contemplar temas como cangaço, jogos populares e danças entre tantas outras vertentes culturais. O museu é de forma clara uma face histórico-cultural e antropológica do ser humano nordestino, vale a pena conferir e se deliciar.

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