Deus deixou seus “mandamentos” não como uma obrigação imposta, mas como uma maneira de sermos felizes aos segui-los. Além disso, quem coloca em pratica tais ensinamentos estará mostrando que o ama (cf. Jo 14, 14) e será constante em seu amor (cf. Jo 15, 9-11). A Igreja Católica nos recomenda observar cinco preceitos, chamados de mandamentos da igreja, que nos ajudam a viver em harmonia com Deus, com os outros e com nós mesmos.
1º MANDAMENTO: Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho.
Participar da missa por inteira entende-se por participar Liturgia da Palavra, que começa nas leituras da sagrada escritura e vai até a oração dos fieis (ou oração da comunidade) e participar da Liturgia Eucarística, que se inicia no ofertório e termina no rito de comunhão. Não cumpre o preceito quem participar de apenas um dos dois ou ir a apenas um em determinado momento e depois à outro em ocasião diferente. Por exemplo, ir de manhã a Liturgia da Palavra e a noite a Liturgia Eucarística. A Liturgia da Palavra é precedida pelos ritos iniciais que nos preparam para participar de toda a santa missa e a Liturgia Eucarística é finalizada pelos ritos finais que nos enviam para comunicar e viver o que nos foi anunciado.
O código de direito canônico (CDC) no Cân. 1246 §1 diz que as festas de guarda são:
Santa Maria Mãe de Deus | 01 de Janeiro |
Epifania (Dia de Reis) | 06 de Janeiro ou Dois domingos após o natal |
São José | 19 de Março (Não é dia de guarda no Brasil) |
Ascensão | 39 dias depois da Páscoa ou sétimo domingo da Páscoa |
Corpos Christi | |
Pedro e Paulo | 29 de Junho ou domingo seguinte a essa data |
Assunção | 15 de Agosto ou domingo após essa data |
Todos os santos | 01 de Novembro ou domingo seguinte a essa data |
Imaculada Conceição | 08 de Dezembro |
Natal | 25 de Dezembro |
Todavia, a Conferência dos Bispos, com a prévia aprovação da Sé apostólica, pode abolir alguns dias de festas de preceito ou transferi-los para o domingo (Cân. 1246 §2).
O Cân. 1248 §1 e 2 nos ensinam que: “Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa em qualquer lugar onde é celebrada em rito católico, no próprio dia de festa ou na tarde do dia anterior. Por falta de ministro sagrado ou por outra grave causa, se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada de acordo com as prescrições do Bispo diocesano; ou então se dediquem a oração por tempo conveniente, pessoalmente ou em família, ou em grupos de família de acordo com a oportunidade”.
É importante ressaltar que quem não participar da missa não poderá comungar até se confessar. “A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis estão obrigados a participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam dispensados, por motivo sério (por exemplo, uma doença, a obrigação de cuidar de crianças de peito) ou pelo seu pastor. Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave” (CIC 2181).
Quem assiste missa pela televisão cumpre o preceito? Tomemos por reflexão esse parágrafo do catecismo “A participação na celebração comunitária da Eucaristia dominical e um testemunho de pertença e de fidelidade a Cristo e a sua Igreja. Assim, os fieis atestam sua comunhão na fé e na caridade. Dão simultaneamente testemunho da santidade de Deus e de sua esperança na salvação, reconfortando-se mutuamente sob a moção do Espírito Santo” (CIC 2182). A missa é um meio pra encontrar outros irmãos em Cristo e viver comunidade, meio de testemunhar a fé para encorajar os que precisam e, além disso, confortar e ser confortado, desse modo, assistir a missa pela TV não cumpre o preceito.
2º MANDAMENTO: Confessar-se ao menos uma vez ao ano
Antes de falarmos do segundo mandamento, é importante ter em mente que o Sacerdote tem permissão de Deus para perdoar os pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e não faz isso em seu próprio nome.
A Bíblia nos ensina que Cristo deu aos apóstolos o poder de perdoar os pecados: “Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados...” (cf. Jo 20,23). São Paulo posteriormente confirma que Deus confiou o ministério da reconciliação aos apóstolos (cf. 2Cor 5,18). As Igrejas cristãs que praticam a confissão ensinam que este poder foi transmitido ao clero, que são visto como os sucessores espirituais dos Apóstolos, que continuariam a transmiti-los (cf. CIC 146 e At 6, 1-7). O poder de perdoar os pecados não deve ser conferido a qualquer um, ainda que o valor deste sacramento não dependa da santidade pessoal do sacerdote, mas o objetivo é evitar escândalos causados por pessoas despreparadas, que não compreendam este sacramento em sua totalidade (fonte adaptada do verbete Confissão (sacramento) da Wikipédia).
No momento da confissão o penitente, ou seja, aquele que está fazendo a confissão deve fazer um zeloso exame de consciência, seguida da contrição, confissão e satisfação.
A contrição pode ser “perfeita” (contrição de caridade) quando brota do amor de Deus produzindo um real arrependimento, ou “imperfeita” (ou atrição) que também é um dom de Deus, porém o arrependimento nasce do temor das consequências do pecado, como a condenação eterna e de outras penas que ameaçam o pecador (cf. CIC 1451-1454).
A confissão é o ato de se acusar, é a maneira de encarar a realidade pecadora, mas também é um momento de desabafo e assim de cura. É importante lembrar que é o momento de declarar os próprios pecados e não o dos outros (cf. CIC 1455-1458) . Uma velha história conta que uma senhora foi se confessar e disse que o seu marido estava falando muito palavrão, vivia bebendo e brigando dentro de casa. Depois de uma hora falando apenas dos erros do marido a senhora pediu a absolvição, diz o padre: está perdoado o seu marido. Como foi dito, confesse seus pecados e não os dos outros.
A satisfação, também chamada de penitencia, é uma atitude concreta para reparar o mal feito. A absolvição apaga os pecados, mas por outro lado não retira o mal causado. Por exemplo, se uma pessoa roubou alguém, a penitência será restituir a pessoa. Se falar mal de alguém, será pedi perdão, é claro que cada penitência varia de caso para caso (cf. CIC 1459-1460).
A finalidade do sacramento da reconciliação é nos reconcilia com Deus, visto que o pecado nos afasta de sua amizade. Além disso, ele nos reconcilia com a igreja (cf. CIC 1468-1469).
Normalmente a confissão termina com o penitente fazendo a oração de contrição, existem alguns modelos desta oração, para aqueles que não conhecem pode seguir esse: meu Deus eu me arrependo de todo coração, por tê-lo vos ofendido e prometo com a vossa graça me esforça para ser bom, meu Jesus misericórdia. Depois disso o sacerdote nos absorve com a oração: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (CIC 1449).
Não precisa se preocupar com o que é dito na confissão, tudo tem que ser mantido em sigilo. O código de direito canônico ensina: “O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae[2] reservada à Sé Apostólica; quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade do delito” (cf. Cân 1388 § 1.).
3º MANDAMENTO: Receber o sacramento da Eucaristia ao menos uma vez por ano
A Eucaristia, do latim eucaristium, que significa ação de graças é o sacramento mais importante da Igreja, pois é o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Para ficar claro tomemos meditemos sobre o capítulo seis do evangelho segundo João. Dos versículos 1 ao 15 é narrado a multiplicação dos pães, assim o evangelista tem o objetivo de ensinar que Jesus faz da matéria o que Ele quiser. Conta-se que Cristo caminhou sobre as águas nos versículos que vai do 16 ao 21, cujo objetivo é ensinar que Jesus faz do corpo dEle o que desejar. Os versículos posteriores narram o discurso de Cristo: “se não comeres a carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come minha e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebiba...”. Não é simbolismo, ao contrário é realidade. De fato, é um ensino muito duro, tanto que os discípulos falaram: “Isto é muito duro! Quem pode admitir?” Perceba amigo leitor, que foram os próprios discípulos que acharam duro o ensinamento e depois de tal ensinamento “... muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com Ele”. Se fosse simbolismo você não acredita que Jesus o teria dito para não perder os seus, mas como é verdade Ele perguntou aos apóstolos: “Quereis vós também retirai-vos? Respondeu-lhe Pedro: Senhor, a quem iremos se só Tu tens palavra da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!”. A Eucaristia é o maior tesouro da Igreja e deve ser adorado, pois sua essência é o Corpo e o Sangue do Ressuscitado.
O Senhor instituiu este sacramento na ultima Ceia: “Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós...” (cf. Lc 22,15-20). Observe que as palavras em negrito são as palavras do sacerdote e o pedido de Jesus vem sendo feito e transmitido de modo fiel, assim como foi ensinado a Paulo: “eu recebi do Senhor que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomo o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse...” (cf. I Cor 11, 23-26).
A Eucaristia (ou Comunhão) não deve ser recebida por alguém em estado de pecado mortal. Por outro lado é bom que se faça um exame de consciência e cada um em Deus perceba se está apto ou não para comungar, pois a bíblia ensina “todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor” (cf. I Cor 11, 27-28). Se alguém está desse modo procure um sacerdote se confesse e assim estará apto para comungar.
O terceiro mandamento da igreja “...deve ser cumprido no tempo pascal, a não ser que, por justa causa, se cumpra em outro tempo dentro do ano” (cf. Cân 920 § 2). Por essa razão é viável que a confissão ocorra no tempo da quaresma, pois ela antecede a Páscoa.
4º MANDAMENTO: Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja
A prática do jejum é muito antiga na Igreja e é vista como uma maneira de controlar nosso modo de comer e mostrar a Deus que realmente o penitente deseja o que pede. Por exemplo, uma pessoa que come todo dia sorvete, abster dele durante uma semna, estará mostrando pra si mesmo que pode ficar sem e, além disso dominar a as sua vontade. Ninguém deve ser escravo do seu paladar, a comida foi feita para o homem e não o contrário. Assim jejuar é refrear a gula e disciplinar o comer, porém não é passar fome.
A igreja pede que “Quem vai receber a santíssima Eucaristia abstenha-se de qualquer comida ou bebida, excetuando-se somente água e remédio no espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão” (cf. Cân. 919 § 1). Porém “pessoas idosas e doentes, bem como as que cuidam delas, podem receber a santíssima Eucaristia, mesmo que tenham tomado alguma coisa na hora que antecede” (cf. Cân. § 3.). Como foi dito, a igreja não pede para que ninguém sofra para comungar, esse jejum de uma hora funciona como uma preparação para os que podem fazer, mas não se esquece de levar em conta o estado de saúde dos fieis e os que os cercam.
“Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da quaresma. Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados a lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade (cf. Cân. 1250-1252).
Os limites de idade para a penitência foram modificados. A abstinência começa aos 14 anos e vai até o fim da vida. O jejum obriga a partir dos 18 anos e vai até os 59 completos. É importante observar que penitência é o ato de abster de algo com o mesmo principio do jejum, exceto que não envolve comida.
O Cân. 1253 lembra que “A Conferência dos Bispos pode determinar mais exatamente a observância do jejum e da abstinência, como também substituí-la, totalmente ou em parte, por outras formas de penitência, principalmente por obras de caridade e exercícios de piedade”. Assim por determinação do Episcopado brasileiro, nas sextas-feiras do ano (inclusive as da Quaresma, exceto a sexta-feira santa) fica a abstinência comutada em “outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade”.
Tanto o jejum quanto a penitencia deve ser feita de modo discreto, livre de interesses pessoais egoístas. A palavra nos ensina: “Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê
num lugar oculto, recompensar-te-á” (cf. Mt 6, 16-18).
5º MANDAMENTO: Ajudar a igreja conforme as suas necessidades
Cân. 222 § 1: Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros. O cristão deve se sentir impelido a ajudar a sua igreja no que ela precisar, isso corresponde também financeiramente se assim ele pode fazer. Quando o termo obrigação aparece, dar-se a entender como uma imposição, mas não deve ser vista de tal modo. Por outro lado, ser de Jesus e deixar sua igreja passar necessidades podendo ajudar é algo extremamente vergonhoso, principalmente quando se trata de necessidades ao culto divino.
Importante saber que os “Os fiéis são livres de doar bens temporais em favor da Igreja” (cf. Cân. 1261 § 1). Assim ele pode doar qualquer coisa de valor, além de dinheiro, que deve ser aproveitado em favor da igreja.
O padre ou o administrador espiritual não deve ser mal visto quando lembra da responsabilidade de devolver o dizimo, pelo contrário ele está cumprindo sua obrigação visto que ele é o representante do Bispo na igreja. “O Bispo diocesano deve lembrar aos fiéis a obrigação mencionada no Cân. 222 § 1, e exigir seu cumprimento de modo oportuno” (cf. Cân. 1261 § 2.).
O termo dízimo não é mais interprado como sendo 10% do que se ganha, mas o fiel deve ajudar conforme puder[3]. Sendo assim, o dízimo é uma contribuição mensal para a paróquia, determinada voluntariamente pelo católico.
A prática de devolver o dízimo pode ser vista no livro do Gênesis quando Abraão deu a décima parte de tudo o que tinha para Melquisedeque (Gn 14, 17-20) e Paulo na segunda carta aos Coríntios nos capítulos 8 e 9 ressalta a importância de ajudar na coleta para o bem dos irmãos e da igreja. Nenhum católico deve deixar sua igreja passando necessidade tendo como ajudar. Não é tirar o pouco que se tem, mas partilhar o que pode. O dizimo deve ser separado logo quando se recebe o salário, pois não é dá o resto a Deus. Não importa se pode devolver muito ou pouco desde que seja por amor. A quantia que vai ser devolvida deve ser estipulada por você e Deus em oração e assim entregue a igreja com amor. Lembre-se da história da viúva que só podia dá duas moedas e por isso deu mais do todos os outros que davam do enorme excedente (cf. Mt 12, 41-44).
Que Deus te abençoe e te ajude a ser fiel nos mandamentos da igreja enquanto Ele volta – Maran atá!
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